sexta-feira, 18 de abril de 2008

hoje eu tenho um trilhão de espaços vazios entre essa respiração confusa que sussuro. um contraste, uma antítese, uma extremidade intensa de se viver. desesperadoramente em silêncio. talvez me picar dessa forma, como as músicas picadas que recebo, seja exatamente os fragmentos ausentes e vitais para, quem sabe, deitar e adormecer. dissolver e ser. não sei mais quantos gemidos fui capaz de cantar no vazio, quantos gemidos preguiçosos e lentos.. lentos.. lentos.. um gemido de amor, um gemido de solidão, um gemido de auto-satisfação, um gemido em pedaços, um gemido de vapor, um gemido fantasma, um gemido sendo mãos, um gemido expresso, um gemido desespero, um gemido para o sexo outro, gemido pela paz.
meu sol de domingo tenta ultrapassar a janela, tenta buscar-me para o escape de nossas vidas, para a guerra. e é uma simples tela de vidro, fria e fina, imposta pelo antes que o impede de invadir-me e cravar meu sangue, minha miséria, minha vergonha e minha felicidade.
desesperado seja
todo esse - turbilhão de pássaros em mim
disciplinado em dor
metade - liberdade de asfalto
uma dor de ser, um rato com asas
sem cama, sem teto, sem família
apenas as asas
roçando meu peito
roçando o ar
roçando

amor. -

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