sábado, 24 de maio de 2008

se lembra em '06 quando eu era a personificação viva da discórdia e fomos para uma festa de gala onde bebi até meu sangue dilatar em álcool puro e meus olhos injetarem tudo o que eu sentia? se lembra de como eu vomitei até minhas tripas no salão inteiro e todos os senhores e todas aquelas madames e todas aquelas garotas típicas me olharam como se eu fosse um verme ou sei lá o que se passava na mente deles,
eu, maracatu atômico só queria vomitar e, foram tantos puxões rápidos que me derrubaram em desmaios, e quando eu acordava bebia mais ou queria dançar majestosamente como a stripper que sonhava em ser. e você lembra, você lembra,
que eu te dizia "quero fazer amor aqui, nessa mesa cheia de flores" e você.. você se lembra? você me disse "vou cuidar de você, deita a cabeça. tomar essa água. fecha os olhos, eu estou aqui". e eu não queria deixar de ser porra-loca para ser cativada ou pelo menos não esperava e não dava o braço a torcer "não, eu quero fazer amor. eu quero acabar com esse mundo" e você disse "esquece isso, eu te amo." balbuciei até meu último sentido se apagar "eu sou chata nojenta insuportável, eu sou a desgraça do mundo. por que você me ama? eu vomitei essa mesa inteira, as flores todas. por que você não tem nojo de mim? eu sei que você tem nojo de mim. não pode ser diferente com você. todos têm. cedo ou tarde cê vai me largar, vai enjoar."
e quando eu menos esperava travou-se o gesto inexplicável em mim, o gesto perplexo, o gesto inacreditável, o gesto infinito. quando eu menos esperava senti seus lábios, seus doces lábios, seus lábios, seus lábios, tocando meus lábios - enxutos de desgraça, frustração e vômito. minha boca nojenta, meu escárnio, minha dor. você me beijava, consumia minhas tripas, meu suco gástrico em saliva. eu vi toda paz do mundo em seus olhos - meu muro de berlim havia desmoronado. e nada mais precisou ser dito.

Um comentário:

Anônimo disse...

Amei essa declaração de amor!

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