sábado, 19 de janeiro de 2008

tem um inseto no meu teclado
não sei dizer se é um besouro;
ou se é uma barata muito pequena
e esverdeada

quem disse que eles são insetos . -
quando nós somos tão insignificantes
e diminutivos?

a casca dele é uma superfície brilhante
de um verde inatingível humanamente
como um escudo supremo e místico
dotado de antenas compenetradas numa agilidade
complexa

não, não ouso esmagá-lo
não ousaria jamais esmagar
tamanha sobrenaturalidade soberana,
acabo encantada excitada e assombrada
com suas virtudes desbanjantes e naturais.

nas folhas das revistas, observo seres humanos
feito espantalhos; sorvendo enfeites -
bugigangas anti-espirituais e exatas
julgando a beleza como a deformidade do nu.

não, não ousaria jamais;
esmagar tal dom, triturar seu escudo tão místico
um verde incrível - perfeitamente encontrado
entre o azul e o verde mato
um verde marinho
brilhante por si só
sem strass, sem brocado, sem nada
uma beleza única e verdadeira;
um filho do sol,
da terra,
e do mar;

desenhado em seu magnífico casco - um escudo de asas perfeitas)

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