[para as rosas murchas.]
a princípio, brotei em soluços pela amiga de infância
soluços quebrados partidos pelo o silêncio
da cicatriz na minha mão
é uma das lembranças que gravou a minha pele
e os soluços quebrados fincaram o coração.
mordida de criança a minha amiga de infância que partiu
atingida no cérebro pela violência cancerígena débil & mortal.
em fios de estrelas se transformam minhas veias
fui ferida com o tempo
e a ausência
e a tristeza
da bondade perdida.
as pessoas desaparecendo... as almas morrendo... as almas retornando a cosmos.
na tristeza aguda de ontem, o grande desastre aéreo de hoje
não me entrego ao sono arrebentado, estou inundada de lágrimas e sangue
inundada
pela pequena menina agarrada à mãe seus olhos refletindo as brasas
e a mãe é só desejo incansável, indestrutível de protegê-la das chamas que ardem
o próprio corpo - um escudo maternal queimado e sem vitória.
os filhos! protejam os filhos! protejam as crianças dessa insensatez humana.
pela noiva que me surpreende sonhando com o noivo e sua marcha nupcial imaginária
sem olhos sem boca sem nada ela se desprende da vida com a música de seu último desejo
pelo piloto sorridente que tem pavor e não mais sorri; as
[vidas quebradas com o reverso quebrado
escape irreversível invisível entre o medo e o grito e as
[vidas interrompidas com a manete partida
pelo namorado solitário da aeromoça grávida - era duas almas
dois corações em apenas um corpo -
aos prantos do seu amor perdido
e eu estou perdida também, tateio esperança como quando criança tateava vaga-lumes no escuro
transbordo sempre tanto e por isso sou inútil, sem saber se o mundo é mundo.
09/08/2007 erica si.
para bebel. feliz aniversário, meu amor. sinto saudades de você. é estranho, sinto mesmo quando te sinto entrando pela janela de modo espectral, hoje é véspera de natal, seu querido aniversário, posso te ver novamente dissipada como fumaça? e rir de seu guizos, chorar de carinho nos olhos. há meses atrás te deixei uma carta junto as flores vivas, pedi desculpa pela falta de tempo, você recebeu? em seu túmulo, um gramado precioso, um gramado como cama, leito, uma estrela em lágrima arrancou o meu olho. te amo.
segunda-feira, 24 de dezembro de 2007
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
me dá uma palavra que eu
te direciono por inteiro -
sem pausa sem fenda sem pausa
emaranhado de sílabas; eu canto pra você. -
sem saber cantar sem saber contar sem saber [sobre sua recepção
digerindo, eu troco os sinais. digerindo,
o que sou deformando o que você
[pensa que sou. soul.
meu bem, eu não deixaria de deformar
eu não desistiria, eu jamais desisto
meu destino sempre sussurrou sem destino;
- ei, pule pela janela, e
sorria
lentamente
para a câmera.
you can't hide reality with bracelets.
te direciono por inteiro -
sem pausa sem fenda sem pausa
emaranhado de sílabas; eu canto pra você. -
sem saber cantar sem saber contar sem saber [sobre sua recepção
digerindo, eu troco os sinais. digerindo,
o que sou deformando o que você
[pensa que sou. soul.
meu bem, eu não deixaria de deformar
eu não desistiria, eu jamais desisto
meu destino sempre sussurrou sem destino;
- ei, pule pela janela, e
sorria
lentamente
para a câmera.
you can't hide reality with bracelets.
domingo, 9 de dezembro de 2007
sábado, 8 de dezembro de 2007
sexta-feira, 7 de dezembro de 2007
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
meu coração observa
quantas vezes terá que pulsar
para desdobrar
em nota musical
eu tenho um ouvido e uma boca entre os seios
escutando o gosto do mar longínquo
direto aos meus pulmões
não reluzi como la sirena
y los borrachos de neruda,
simplesmente nadei até o sol
me dissipei junto com a sensação
de ser sol
navegando o oceano inteiro.
quantas vezes terá que pulsar
para desdobrar
em nota musical
eu tenho um ouvido e uma boca entre os seios
escutando o gosto do mar longínquo
direto aos meus pulmões
não reluzi como la sirena
y los borrachos de neruda,
simplesmente nadei até o sol
me dissipei junto com a sensação
de ser sol
navegando o oceano inteiro.
terça-feira, 4 de dezembro de 2007
dá tchau pela janela
toda aberta -
tem medo que eu passe frio?
não, não. só
(estou empurrando minhas lágrimas para dentro de mim.)
já, já durmo -
sim, tá tudo bem,
vou ligar pra mamãe.
sim, não, não. só
(estou empurrando minhas lágrimas para dentro de mim.)
ah, vai logo,
não precisa esperar o ônibus partir.
ah, não. não, não. só
(estou me empurrando para dentro em lágrimas
sem saber como parar -
toda aberta -
tem medo que eu passe frio?
não, não. só
(estou empurrando minhas lágrimas para dentro de mim.)
já, já durmo -
sim, tá tudo bem,
vou ligar pra mamãe.
sim, não, não. só
(estou empurrando minhas lágrimas para dentro de mim.)
ah, vai logo,
não precisa esperar o ônibus partir.
ah, não. não, não. só
(estou me empurrando para dentro em lágrimas
sem saber como parar -
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