segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

[para as rosas murchas.]
a princípio, brotei em soluços pela amiga de infância
soluços quebrados partidos pelo o silêncio
da cicatriz na minha mão
é uma das lembranças que gravou a minha pele
e os soluços quebrados fincaram o coração.
mordida de criança a minha amiga de infância que partiu
atingida no cérebro pela violência cancerígena débil & mortal.
em fios de estrelas se transformam minhas veias
fui ferida com o tempo
e a ausência
e a tristeza
da bondade perdida.
as pessoas desaparecendo... as almas morrendo... as almas retornando a cosmos.
na tristeza aguda de ontem, o grande desastre aéreo de hoje
não me entrego ao sono arrebentado, estou inundada de lágrimas e sangue
inundada
pela pequena menina agarrada à mãe seus olhos refletindo as brasas
e a mãe é só desejo incansável, indestrutível de protegê-la das chamas que ardem
o próprio corpo - um escudo maternal queimado e sem vitória.
os filhos! protejam os filhos! protejam as crianças dessa insensatez humana.
pela noiva que me surpreende sonhando com o noivo e sua marcha nupcial imaginária
sem olhos sem boca sem nada ela se desprende da vida com a música de seu último desejo
pelo piloto sorridente que tem pavor e não mais sorri; as
[vidas quebradas com o reverso quebrado
escape irreversível invisível entre o medo e o grito e as
[vidas interrompidas com a manete partida
pelo namorado solitário da aeromoça grávida - era duas almas
dois corações em apenas um corpo -
aos prantos do seu amor perdido
e eu estou perdida também, tateio esperança como quando criança tateava vaga-lumes no escuro
transbordo sempre tanto e por isso sou inútil, sem saber se o mundo é mundo.

09/08/2007 erica si.

para bebel. feliz aniversário, meu amor. sinto saudades de você. é estranho, sinto mesmo quando te sinto entrando pela janela de modo espectral, hoje é véspera de natal, seu querido aniversário, posso te ver novamente dissipada como fumaça? e rir de seu guizos, chorar de carinho nos olhos. há meses atrás te deixei uma carta junto as flores vivas, pedi desculpa pela falta de tempo, você recebeu? em seu túmulo, um gramado precioso, um gramado como cama, leito, uma estrela em lágrima arrancou o meu olho. te amo.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

é claro que eu me desfragmento de saudade e de desamor relendo meus vestígios criminais -
(saudade do que eu nunca deixarei de ser,)
me dá uma palavra que eu
te direciono por inteiro -
sem pausa sem fenda sem pausa
emaranhado de sílabas; eu canto pra você. -
sem saber cantar sem saber contar sem saber [sobre sua recepção
digerindo, eu troco os sinais. digerindo,
o que sou deformando o que você
[pensa que sou. soul.

meu bem, eu não deixaria de deformar
eu não desistiria, eu jamais desisto
meu destino sempre sussurrou sem destino;
- ei, pule pela janela, e
sorria
lentamente
para a câmera.


you can't hide reality with bracelets.

domingo, 9 de dezembro de 2007

à merda o lençol molhado pela chuva
se é isso que te importa
uma graça, você é formado em espancamento?
assim fica legal, meu senhor? uma graça, um amor
me espanca até meus ossos virarem estrelas
congratulações,
você e seu diploma cancerígeno,
congratulações.

[berros estridentes&centrípetos ao fundo]



sábado, 8 de dezembro de 2007

acordei com um olho abraçado ao sonho - e o coração palpitando, pedindo para voltar a sonhar.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

seus poros pregam meus dedos meu
modo de ver todas as cenas desse vídeo,
tou cansada benjamin,
é inevitável que eu traga
uma viagem ao seu tempo -

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

sua voz tá tão rouca pra me dizer - facilitaria tanto assim.
não digo que não atravesso a noite com nossa grande fuga,
atravesso o teto, o céu
a tragédia inteira
(todos os dias.)
meu coração observa
quantas vezes terá que pulsar
para desdobrar
em nota musical

eu tenho um ouvido e uma boca entre os seios
escutando o gosto do mar longínquo
direto aos meus pulmões
não reluzi como la sirena
y los borrachos de neruda,
simplesmente nadei até o sol
me dissipei junto com a sensação
de ser sol
navegando o oceano inteiro.
não travei uma batalha com o infinito assim como você trava seu universo em mim.
frankie, venha a mim. quantas vezes você tocou no meu rádio
sem que eu ousase pedir que partisse?
olá música nova -
obrigada por estar aqui
você escorre em meu
corpo
como água
no sofrimento,

quantos quarterões eu vi passando nesse refrão?

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

dá tchau pela janela
toda aberta -
tem medo que eu passe frio?
não, não. só
(estou empurrando minhas lágrimas para dentro de mim.)
já, já durmo -
sim, tá tudo bem,
vou ligar pra mamãe.
sim, não, não. só
(estou empurrando minhas lágrimas para dentro de mim.)
ah, vai logo,
não precisa esperar o ônibus partir.
ah, não. não, não. só
(estou me empurrando para dentro em lágrimas
sem saber como parar -

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